Entrevista ao ego: Leandro Sapucahy desmente briga com Maria Rita
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Leandro Sapucahy quer quebrar as barreiras e transformar a Fundição Progresso, O cantor de 38 anos vai gravar seu primeiro DVD, “Favela Brasil” nesta quinta-feira, 8, nesse palco carioca, e promete transportar para lá o clima da periferia. No lugar da banda convencional, haverá uma mesa de bar e personagens típicos da favela. A direção cênica será de Regina Casé, que pela primeira vez conduz um show. “A favela é o retrato da situação do país. E abordo o tempo todo a situação crua nas minhas músicas, sem rodeios. Não escondo nada. Será uma leitura no estilo cinema mudo”, conta Sapucahy, em entrevista exclusiva ao EGO.
Participações de peso não vão faltar na gravação. Para a encenação, está escalado o grupo “Nós do Morro”, com Jonathan Haagensen e Roberta Rodrigues. Na parte musical, estão previstos Arlindo Cruz, Leci Brandão, Marcelo D2 (ele foi percussionista da banda de D2 e fez parceria com ele na música “Polícia e Bandido”, hit de seu primeiro CD, “Cotidiano”), MC Marcinho, e uma participação virtual de Seu Jorge - ele gravou um depoimento e a música “Problema Social”. “Não tenho esse desprendimento para ter um disco comercial. Eu me preocupo em gravar grandes compositores”, explica o músico.
Produtor do aclamado CD de Maria Rita , “Samba Meu”, Sapucahy desmente uma possível briga com a cantora. “Só estou fazendo o meu trabalho, e ela, o dela. Maria Rita só não vai participar do show por incompatibilidade de agendas.” Confira a entrevista.
EGO: Você tem uma parceria bem sucedida com Maria Rita, já que produziu o badalado CD dela, “Samba Meu”. Porém, ela não irá participar de seu show. É verdade que vocês estão brigados?
LEANDRO SAPUCAHY: Isso é uma bobagem. Tenho o maior respeito pela Maria Rita, gosto muito dela. Só estou fazendo o meu trabalho, e ela, o dela. Maria Rita só não vai participar por incompatibilidade de agendas. Temos uma parceria profissional e vamos trabalhar muito ainda.
EGO: Quem faz a direção cênica de seu show é Regina Casé. Vocês já se conheciam?
LEANDRO SAPUCAHY: Ela foi uma das grandes responsáveis por me colocar em exposição. Regina levou a música “Numa Cidade Muito Longe Daqui” para Angola, e eu tive uma resposta muito boa, eles quiseram saber quem tinha feito a música, quem eu era. Ela também colocou seis músicas minhas em um programa, e acabamos ficando próximos. Participei de um especial de final de ano da “Central da Periferia”, na Apoteose, no Rio, e sempre conversamos sobre ver imagens nas músicas, como em “Polícia e Bandido”.
EGO: Como será o cenário do show?
LEANDRO SAPUCAHY: Ele será todo de madeira, representando uma favela - queria uma coisa diferente de uma gravação normal, um fundo dinâmico, com pessoas passando, um cara de bicicleta, gente passeando com o cachorro…
LEANDRO SAPUCAHY: Será uma leitura do estilo cinema mudo. Os atores vão representar as músicas. Por exemplo, a música “Mano Guta” fala de um mano nosso que morreu errado. “Fui Bandido” conta a história de um homem que foi para cadeia - que era para ser um centro de reabilitação, mas virou um caldeirão -, e ele percebe que o crime não compensa. Essa música é para tirar um pouco dessa história de bandido como herói.
EGO: O DVD terá participações bem ecléticas como Arlindo Cruz, Marcelo D2 e MC Marcinho, e a participação virtual do Seu Jorge. Fale um pouco desses encontros.
LEANDRO SAPUCAHY: MC Marcinho vai cantar a música “Favela”, um funk que fala do cotidiano do lugar. Curto muito as letras dele. Não gosto dessa comparação de compositor de MPB, funk… o importante é a criatividade e fazer o melhor. Por exemplo, chamei um representante do rap, que é o D2, também um dos responsáveis pela minha carreira, e uma representante do samba, a Leci.
EGO: Em seu blog, você diz que decidiu priorizar a gravação do DVD ao invés de lançar o CD “Mais Um, Mais Uma”. O projeto ainda está parado?
LEANDRO SAPUCAHY: O CD está pronto, mas fiz um acordo com a Warner (gravadora), porque o CD “Cotidiano” foi bem falado na crítica. Mas já tinha esse projeto do DVD na gaveta, em que misturo a música com a imagem, é como se fosse um curta-metragem, por isso eu quis priorizá-lo. Mas, de repente, posso conjugar com a divulgação do DVD.
EGO: E Por que o show se chama Favela Brasil?
LEANDRO SAPUCAHY: Fiz duas turnês com o D2 de 70 dias na Europa e vi que lá fora se vende bossa nova, samba de mulata, mas não o samba tradicional. Então quis fazer uma troca de palavras com “Aquarela do Brasil”. Ficamos até na dúvida se o nome seria “Favela Brasileira” ou “Aquarela Brasileira”. A favela é o retrato da situação do país. E abordo o tempo todo a situação crua nas minhas músicas, sem rodeios. Não escondo nada. Não tenho esse desprendimento para ter um disco comercial - um disco romântico. Me preocupo em gravar grandes compositores. Sempre ouvi a imprensa reclamar que faltava conteúdo, e é isso que procuro fazer. Sempre se falou tanto de amor, e vemos hoje em dia famílias se matando…
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