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Abr 06

Galeria de fotos: Letícia Colin: a bonitinha cresceu, fala sobre o filme “Bonitinha Mas Ordinária”

Letícia Colin: a bonitinha cresceu

Atriz, que vai estrear no cinema na nova versão de “Bonitinha Mas Ordinária”, fala sobre amadurecimento pessoal e a descoberta do sexo

M_leticia colin

Letícia Colin: ela vai viver o mítico papel de Maria Cecília de “Bonitinha Mas Ordinária” , de Nelson Rodrigues, no cinema

Conhecida na TV pelas meninas que interpreta, Letícia Colin deve surpreender com mais uma em sua estréia no cinema. Mas não é uma menina qualquer. É Maria Cecília, personagem emblemática da peça “Bonitinha Mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, que ficou marcada na memória de muita gente com a versão cinematográfica de 1981, com Lucélia Santos, no papel que hoje é de Letícia. A nova versão, dirigida por Moacyr Góes, deve chegar aos cinemas em janeiro , e o motivo para que o filme seja emblemático até hoje - além é claro, de ser um texto de Nelson Rodrigues -, é por causa de uma cena de estupro, ou melhor, uma curra, que é determinante para o desenrolar da história. E é assim que Letícia, a nova “Bonitinha”, vai aparecer pela primeira vez na tela grande. Ela, que diz ter ouvido algumas críticas por aceitar o papel, e um olhar desconfiado do pai, José Hélio, conta que ele veio em boa hora, e que foi o ápice de um processo de amadurecimento pelo qual passou no último ano.

“Estou me descobrindo ainda. Fiz 18 anos no dia 30 de dezembro, entrei na faculdade de jornalismo, estou tirando carteira de motorista. Tem muita coisa em mim que eu não sei ainda, mas estou descobrindo várias sensações”, diz.

Nesta entrevista ao EGO, na qual intercalava um sorriso de menina sapeca com respostas sempre bem pensadas, ela deixou escapar que sua maioridade incluiu também a descoberta do sexo, com o seu primeiro namorado, o diretor de novelas Leonardo Miranda, 29.

“Ai gente, vamos entrar nesse mérito?!(risos). Eu nunca tinha tido namorado, né?! Então foi tudo: foi meu parceiro, companheiro, uma descoberta de corpo e de alma. Foi um momento bonito porque as coisas começaram a fazer sentido”, disse ela levemente vermelha. Confira mais!

leticia colin

A atriz conta que o que pesou na sua escolha para o papel foi a imagem frágil, e ao mesmo tempo forte

Como você foi escolhida para o filme e virou “Bonitinha”?

Conheço a Cibele Santa Cruz que é a produtora de elenco do filme, mas a princípio, eles não queriam ninguém que tivesse compromisso fora, e eu sou contratada da Record. Mas pedi muito para ela deixar eu participar dos testes, ao menos para que ela conhecesse meu trabalho. Por fim, ela concordou, fui fazendo os testes, passando e ficando. Segundo o Moacyr Góes, diretor do filme, foram 200 meninas.

Eles não tiveram implicância com o fato de você já ser um rosto conhecido?
Não. Eles queriam disponibilidade para fazer as cenas. Porque teve gente que até tinha experiência, mas chegava na hora e travava, não fazia a cena do estupro, por exemplo.O Moacyr também queria alguém que tivesse uma imagem frágil, mas que demonstrasse uma força para fazer filme.
Você sabia que tinha essa força dentro de você? Porque sua imagem mais marcante é a de menininha.
Acho que ninguém sabe tudo o que tem dentro. Estou me descobrindo ainda. Fiz 18 anos no dia 30 de dezembro, entrei na faculdade de jornalismo, estou tirando carteira de motorista. Tem muita coisa em mim que eu não sei ainda, mas estou descobrindo várias sensações. E ser ator é ser egoísta porque você ganha um passaporte para descobri-las, e você ainda ganha para isso (risos).

Como foi a gravação da cena do estupro?
Foi ótima (risos). Correu tudo tranqüilamente porque foi conduzida de forma tranqüila. Achei que foi bom ter sido a última cena a ser gravada porque a equipe toda já estava muito afinada. Fizemos de primeira, mas com vários planos dentro de uma mesma cena. Estava muito calma. Fiquei no set, presenciei a montagem do cenário, que foi um barraco de favela montado em estúdio, e acabei ficando muito à vontade (risos).

leticia colin

Letícia conta que não teve problemas com as cenas de nudez

Como você lidou com a nudez que a cena exigia?

Nem pensei nisso, dei uma desplugada. Só quando terminei a cena é que me ligava. “Ih, fiquei nua”. Tinha tanta coisa para pensar: no clima, nas marcas, no texto, a nudez era o de menos.
Você se imaginou sendo estuprada para buscar a emoção para a cena?
Não me imaginei como Letícia, sempre pensei que era a “Maria Cecília”. Ensaiei com os atores a cena do estupro, e foi tudo coreografado pelo Dani Hu, que é um cara que trabalha com luta, e ele ensinou jeitos de me pegar e não me machucar, para dar o efeito, mas não ser físico. Apesar disso, ainda estou com umas marcas aqui das filmagens (risos).

Além disso, não preciso passar por aquilo para sentir. Não acho uma cena difícil. Acho fácil porque é muito concreto, o caras estão ali, vão me pegar, vão falar coisas, é tudo muito concreto. Não tenho que imaginar nada. É só estar ali. Não fico pensando que tenho que chorar. Sei que vou chorar. Acho melhor não pensar muito para não travar.

Mas para a mulher Letícia, como foi gravar essa cena? Você enxerga como violência ou em algum momento aquilo chegou a te excitar?
Não. Pra mim foi só uma cena, mais um momento, procuro não mistificar. Senti-me corajosa, mais atriz, mais forte, mas nada de extraordinário.

Como você anunciou em casa que viveria o mítico papel de “Bonitinha, mas Ordinária”, e que seria estuprada no filme?
Minha mãe me deu apoio integral. Afinal, é um personagem de Nelson Rodrigues, e ela sabia que eu queria fazer. Meu pai, José Hélio, que ficou um pouco mais receoso. Disse “Vamos ver direitinho como vai ser isso, ver quem são os atores que vão fazer” (risos). Depois, ele falou: “Agora é a hora de você decidir”. Mas eu sempre quis fazer. Mas fui muito criticada também. Várias pessoas disseram que eu não devia fazer porque era muita exposição, e eu era muito nova, e que não tinha necessidade de fazer esse personagem nesse momento.

Quem eram as pessoas que diziam isso?
Amigos e pessoas do meio. Muita gente ainda tem preconceito com a obra do Nelson.

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“Nelson Rodrigues não me choca. É um prazer ver como ele traz sentimentos humanos à tona.”

Você se chocou com alguma coisa da obra do Nelson Rodrigues?

Ele não me choca em absoluto. Acho que as grandes idéias são simples. É alguém que observou alguma coisa e viu que era aquilo. Ele percebeu as emoções dos seres humanos e viu que era completamente normal um pai se apaixonar pela filha, por exemplo. Acho tudo isso mais simples. Tudo muito próximo, muito humano e real. Não me choca, não, é um prazer ver como ele traz isso à tona.

Você disse que nada te choca, que é humana, e no que você é amoral?
Acho que minha escolha em fazer o filme é uma escolha amoral. Acabei de fazer 18 anos, estou fazendo gravando “Chamas da Vida”, na Record, na qual faço uma menininha, e parto para fazer Nelson Rodrigues, tirar a roupa no cinema. Acho que estou me permitindo me jogar e me conhecer.

E na sua vida pessoal, no que você já foi amoral, burlou as regras?
Faço muito o que tenho vontade de fazer, e sempre me dou bem quando sigo minha intuição. Não vou citar exemplos (risos).

Você já repetiu na escola, pegou o carro do pai ou da mãe sem carteira ou fugiu de casa com o namorado?
Sempre fui ótima na escola (risos). Sempre gostei de estudar, não peguei carro de ninguém, sempre tive uma relação muito boa com minha mãe. Eu às vezes falo até demais para ela.Tem coisas que não devia contar(risos). E minha mãe era daquelas que achava eu devia namorar, mas eu era muito na minha. Só fui começar a namorar sério no ano passado.

Quem era? O Thiago Gagliasso?

Não (risos). Nunca fiquei com ele. Ela era meu par romântico na novela, nos ensaiávamos juntos, e ele ficava com uma amiga minha.

Qual o nome dele então?
É o Lenoardo Miranda, ele é diretor da novela, e estamos juntos há 10 meses.

 


Foi uma opção sua começar a namorar tarde?

Tarde não. É que nunca senti vontade. Sempre trabalhei muito, estudei e fazia mil coisas ao mesmo tempo. Sempre fui muito tranqüila em relação ao sexo oposto.

E foi com o aval da sua mãe?

Foi, claro. Mas é que com 17 anos tudo é muito complicado. Estava meio em crise, meio sem saber se eu queria ser atriz, terminando a escola. Deu um medo. Ela achou bom ter alguém pra dividir as minhas coisas.

Como você resolveu essas crises todas?
Eu sei que a crise é boa, sei que é um passagem, mas que vai somar para a minha vida. E crescer dói, né?!(risos). O problema é que sempre tive muita certeza de que queria ser atriz, mas comecei a questionar isso, e se era a decisão mais certa. Chegou ao ponto de eu sentir uma certa inveja das dúvidas das minhas amigas que não sabiam se prestavam vestibular para administração ou economia(risos). Nesse meu questionamento, resolvi fazer vestibular para jornalismo. Já tinha optado por ele há algum tempo, mas havia esquecido disso. Estou no primeiro período de jornalismo na PUC do Rio.

Seu último ano foi de uma série de descobertas. Você questionou sua vocação, começou a ter um relacionamento sério. A sexualidade também está no meio dessas descobertas?

Como mulher, sim. Aprendi mais sobre o meu corpo e a chegar ao outro.

Nesse período você teve sua primeira experiência sexual ou já tinha tido antes?
Ai gente, vamos entrar nesse mérito?!(risos). Eu nunca tinha tido namorado, né?! Então foi tudo: foi meu parceiro, companheiro, uma descoberta de corpo e de alma. Foi um momento bonito porque as coisas começaram a fazer sentido. Um momento bonito, consciente e apaixonado.

Como foi para você, que estava descobrindo o sexo, encarar esse lado mais duro e brutal da sexualidade que é mostrado no filme?
Sexo pode ser incrível, natural, instintivo, leve e pode ser outra coisa também. Mas fica um abismo entre uma coisa e outra, acho que serve mostrar do que o ser humano é capaz.

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Postado por: Alex Lima

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