Sergio K.: criatividade estampada no peito
Atualíssimo, empresário de moda cria peças originais e conquista anônimos e famosos
Com apenas 25 anos, o empresário Sergio K. freqüenta o primeiro escalão da moda, junto com os principais fashionistas do país. Seu nome é referência no assunto. São dele, por exemplo, as camisetas que vêm fazendo o maior sucesso entre anônimos e famosos. As estampas, normalmente divertidas, trazem rostos e nomes conhecidos em situações inspiradas nas últimas manchetes.
Sua mente criativa ganhou vários adeptos e entre os ‘usuários’ das peças do estilista estão Márcio Garcia, Adriane Galisteu , Daniella Cicarelli , Leonardo diCaprio e Preta Gil . A filha do ministro, por exemplo, apareceu em um ensaio para o EGO vestindo a última criação de Sérgio K. , uma camiseta com a palavra Rehab escrita na vertical. As letras que formam a palavra são montadas com o nome de cinco celebridades na horizontal: Paris Hilton , Whitney Houston , Lindsay Lohan , Amy Winehouse e Britney Spears . Em comum, elas têm um fraco por substâncias químicas e um histórico de escandalos. Quer idéia mais atual?
Sergio explica que a camiseta não tem conotação negativa. “Todas têm sucesso, todas têm prestígio, a rehab não é depreciativa. Não é uma rehab fim de carreira, é rehab de life style, porque não é a primeira vez, nem a última que elas vão”, justifica. “Lá fora está todo mundo acostumado com isso. Lá, reabilitação é vista como uma terapia”. Seja como for, a peça fez tanto sucesso que está esgotada.
“Todas (as camisetas) são autorais. Como não sou estilista, não me prendo a nada. Acabou, acabou”. Ele diz que as camisetas surgiram há bastante tempo e que a primeira delas trazia no peito uma frase em francês, que dizia que cocaína é a aspirina dos ricos, com a imagem de um comprimido ilustrando a peça. Depois dessa, ele partiu para uma linha mais ‘raiz’ e fez um modelo escrito massari, que quer dizer dinheiro em árabe. Como sua clientela árabe é muito grande e as peças lucrativas (uma camiseta de algodão custa em média R$ 120), ele pensou: “Preciso fazer mais”. E fez. Produziu uma série de camisetas com a estampa Save Lebanon e arrecadou mais de 13 mil reais, dinheiro que foi doado para o Instituto do futuro chamado SOS Salve Líbano.
A próxima empreitada foi uma camiseta inspirada na musa de Sergio K., a modelo inglesa Kate Moss . “Ela se droga, tem mau comportamento, mas é desejada por todo mundo, todo mundo quer Kate Moss. Aí eu fiz a camiseta Kate is my lady, com um croqui com todas as medidas dela. Foi um sucesso. A gente vai reeditar em outra cor”, adianta o empresário. Os últimos dois modelos foram criados recentemente: a ‘Save Tibet’ e, por último, a Rehab.
Admirador internacional
Sergio conta que no ano passado, quanto estava em Paris trabalhando, sentou-se com dois amigos para conversar em um café. O papo em português dispertou a curiosidade do rapaz que estava na mesa ao lado, e ciúme na moça que estava junto dele.
Para chamar a atenção, o tal rapaz começou a assobiar “Garota de Ipanema”. Eis que Sergio o reconheceu. Ele era Leonardo diCaprio e a moça emburrada, a namorada, a modelo Bar Refaeli . O ator reparou na camisa pólo que os três amigos estavam usando e perguntou de quem era. Mais do que depressa Sergio se identificou, disse que eram suas e subiu ao quarto do hotel. “Peguei três camisetas e dei para ele”, orgulha-se o empresário, que ganhou um fã internacional.
Apesar da pouca idade, Sergio Kamalakian Savone tem uma história de sucesso e acumula conquistas de gente grande. “É dificil diferenciar juventude e molecagem, e uma coisa não tem nada a ver com a outra”, pontua.
Ele conta que a carreira na moda começou por acaso, há quatro anos. “Trabalhava na empresa dos meus pais, não tinha pretensão de ser estilista, não tenho formação. Queria abrir uma loja de sapato masculino. Tenho tradição armênia e pensei: ‘Vou ser sapateiro’. Saí de casa e comecei a trabalhar. Eu atendia, eu era o meu gerente, o meu estilista, o meu financeiro. Desenhava os modelos e mandava fazer. Aí chegou uma hora que a loja encheu de gente e eu tive que fechar a porta porque não tinha como atender todo mundo, era numa portinha na Oscar Freire (rua chique da capital paulistana), foi a hora que eu pensei: ‘Deu certo, preciso estruturar’”, lembra ele, que na época trabalhava 14 horas por dia. “Ainda trabalho, mas não colocando a mão no pé do cliente. Até faço se for preciso”, diz ele, comentando que por conta da rotina agitada não namora há quatro anos, só viaja a trabalho e almoça em cima da mesa do escritório.
Mas vale a pena. Da portinha na Oscar Freire, ele tem hoje outras duas lojas Sergio K. na mesma rua, no bairro dos Jardins, uma de dois andares no Shopping Iguatemi, uma no Shopping Market Place e 80 pontos de venda em todo brasil. Tudo isso em quatro anos. Dos sapatos, ele expandiu os negócios para paletós, sungas, tênis, entre outros produtos, e hoje sua coleção conta com 360 itens. “Por não ser estilista, por ter essa visão empresarial, fui viajar para buscar novos fornecedores e idéias”, conta.
As camisetas deram tão certo que Sergio diz que é comum amigos e clientes darem palpite ou sugerirem novas estampas. Se a idéia for boa, ele garante que acata. Só tem um assunto que ele descarta: política. O empresário não vê a menor graça no tema.
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