Querido e respeitado principalmente na periferia, MV Bill aproveita sua influência para tentar modificar as pessoas e evitar que elas caiam nas armadilhas das drogas. “Queremos diminuir o ingresso no tráfico e as mortes, mas nosso combate não é direto ao tráfico e sim às desigualdades sociais”, ressaltou ele em entrevista ao EGO.
MV Bill lançou nesta segunda-feira, 19, o livro “Falcão – Mulheres e o Tráfico”, que complementa o polêmico “Falcão – Meninos do Tráfico”, lançado em 2006 por ele e Celso Athaíde. “Não falamos só de criminosas, mas de mães, filhas, esposas e namoradas que ajudam a contar a história que começamos a mostrar antes. Justamente por isso o livro é mulheres ‘e’ o tráfico, e não ‘do’ tráfico, como era o caso do anterior.”
No evento, realizado na Assembléia Legislativa de São Paulo nesta segunda, 19, Bill participou de um bate-papo com o público sobre a violência e fez um apanhado sobre o que viu em oito anos de pesquisa para o livro. “Cada uma tem sua história, suas particularidades, mas todas são vítimas da exclusão, da falta de educação e de oportunidades. A maioria é negra e com família desestruturada. São ‘pães’ – mãe e pai ao mesmo tempo – na busca por dinheiro e sobrevivência”, afirmou.
“Com este novo passo do projeto, pensamos na possibilidade de fazer um documentário de uma hora e meia, focado mais no cinema do que na televisão”, contou MV Bill, que ainda não sabe se terá o mesmo espaço que o livro anterior teve no “ Fantástico ”. “Não temos pressa para terminar o documentário. Enquanto conseguirmos manter a discussão e manifestações sobre este tema, estamos satisfeitos, pois este é o objetivo do nosso trabalho”, finalizou.
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